
OUTROS BARUHOS - Poemas
Prêmio Jabuti 2009 - Poesia
Enquanto a prosa dos novos autores brasileiros se fixa no bizarro e no grotesco, a lírica concentra-se no sublime e na memória. Se real ou inventada, não importa. Como não importam também os choques ideológicos nem a militância em defesa dessa ou daquela poética (marginal, pop, conservadora, concreta etc.)
Reynaldo Bessa é músico, com cinco CDs na praça.
Familiarizado com harmonias e melodias sonoras e verbais, ele sabe que uma boa letra de música não é necessariamente um poema. Algumas são, mas muito poucas.
Para o Reynaldo poeta, um bom poema é mais do que qualquer outra coisa, um tipo peculiar de barulho, não de música.
Os poemas de “Outros Barulhos” em português e inglês, denunciam um pai, uma mãe, uma infância, uma adolescência superficiais. Mas, há alumbramentos, sustos luminosos. Há beleza na banalidade. E é o movimento dialético – a verdade no falso – que faz desse eu lírico ruidoso uma instância chamada “mal-estar”
Nelson de Olivieira
Escritor e Mestre em Letras pela USP.
APCA 2001 e 2003
------------------------------------------------------------------------------------------
O músico e compositor, Reynaldo Bessa guardou a infância no quarto até onde deu. Agora explodiu pelas janelas e portas.
"Outros barulhos" é um baú que transbordou: quando os mortos e vivos se embaralham na linguagem, lembranças são confundidas com premonições; vozes, com cheiros. Ou ele publicava esse livro ou ficava louco, não tinha escolha.
É uma fartura de vida, um armazém de fiados, armário de brinquedos extintos, que todo leitor vai se exuberar.
É uma obra da saudade. A saudade alegra, inclusive, os dias em que cortamos os dedos.
O livro quer a poesia como iluminação da corda. Faísca da corda de violão. Eu pergunto: quantas forcas há no violão? Quantos homens são desenforcados pela música?
É uma música muda. Uma música que estica a vida que não houve.
Bessa é poeta. Pela intuição maravilhosa. Pelas comparações novas. Pelo tempo de descrever, e, acima de tudo, de se calar na hora certa. Como um menino ingênuo, ele questiona: "como pode alguém com fome/ ter medo de relâmpagos?" Alguém já pensou nisso antes?
Pela verdade apurada, de antever contradições e desarmar ciladas da auto-ajuda.
"Há algo de liso, de falso, de suspeito,
na total aceitação.
uma leve, porém inquietante tensão,
feito a frágil sacola do supermercado que a gente nunca sabe se vai romper ou se vai agüentar as compras até chegar em casa."
Sua sensibilidade é espiã. Não suportaria suas dores se não carregasse também a dos outros. Por isso, sofre com o bêbado voltando para casa, como se houvesse um trapézio transparente na rua; os vizinhos rindo e os familiares o segurando com os olhos. A poesia quando narração é imbatível. A poesia como contadora de histórias é imbatível.
Sabemos muito mais da memória de Bessa.
"o silêncio
do meu irmão
doía mais
que as pancadas
do meu pai."
Porque ele nos confidencia sua imaginação.
Fabrício Carpinejar
poeta e jornalista, mestre em
Literatura Brasileira pela UFRGS.
------------------------------------------------------------------------------------------
"Eu sou o que lembro / ou o que esqueci?" A poética pergunta já dá mostras do que o leitor vai encontrar em "Outros Barulhos", primeiro livro de poesias do músico-poeta potiguar Reynaldo Bessa.Lançado em 2008 pela editora mineira Anome Livros, com prefácio do poeta mineiro Wilmar Silva e orelha do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar, "Outros Barulhos" este ano entrou na lista dos 50 livros finalistas do Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2009 e ficou em terceiro lugar no maior prêmio brasileiro das letras, o "51º Prêmio Jabuti". A premiação será entregue na próxima quarta-feira, em São Paulo."Foi um susto delicioso. Eu não esperava", diz um feliz Reynaldo Bessa ainda surpreso com o prêmio e sua repercussão. Depois do anúncio dos vencedores, em setembro, Bessa já recebeu propostas de várias editoras para novos lançamentos literários e tem aceito convite para diversos compromissos sobre processo criativo e o fazer poético.Músico há mais de 20 anos, Reynaldo Bessa só no ano passado se rendeu aos insistentes apelos de sua ex-mulher e produtora para publicar o que já vinha escrevendo há muito tempo. Não à toa o poeta Fabrício Carpinejar assim define o livro: "O músico e compositor Reynaldo Bessa guardou a infância no quarto até onde deu. Agora explodiu pelas janelas e portas. "Outros Barulhos" é um baú que transbordou: quando os mortos e vivos se embaralham na linguagem, lembranças são confundidas com premonições; vozes, com cheiros. Ou ele publicava esse livro ou ficava louco, não tinha escolha. É uma fartura de vida, um armazém de fiados, armário de brinquedos extintos, que todo leitor vai se exuberar". Nessa "fartura de vida" destacam-se os poemas de lembrança, de saudade, de infância, onde Bessa divide confidências com o leitor. "O silêncio/do meu irmão/doía mais/que as pancadas/do meu pai".Mesmo já tendo outros livros prontos, romances, contos e outro de poesias, Reynaldo Bessa não pensa em deixar de lado a carreira musical. "Essas duas vertentes sempre trabalham juntas. Uma agregando valor à outra. Apesar de meu primeiro contato ter sido com a poesia, hoje me considero mais músico do que poeta, mas meu amigo e grande poeta Ademir Assunção matou a charada. Ele me chama de "Músico-Poeta".Enquanto colhe os louros do sucesso, esse sensível e talentoso músico-poeta potiguar, como faz questão de ser conhecido, não esquece em nenhum momento de onde surgiu: "Este troféu também é de Mossoró, do Rio Grande do Norte. Estou lutando para projetar a minha terra, que é de onde tiro tudo o que faço". Cantor, compositor, violonista e poeta potiguar, Reynaldo Bessa nasceu em Mossoró, Rio Grande do Norte. Está radicado em São Paulo há 20 anos. Já lançou cinco CDs. O trabalho de estreia foi "Outros Sóis" (1994). Em 1996, lançou "O Beco das Frutas" (Selo - Alpha Music); em 2000, lançou o elogiado "Angico" (relançado em 2004 pelo selo Devil discos); e em 2007, veio com "O Som da Cabeça do Elefante" (Selo - Devil Discos). Estes dois últimos selecionados para o prêmio TIM de música em 2005 e 2007. Em 2008 lançou seu quinto trabalho, "Com os Dentes". Diferentemente dos anteriores, em seu primeiro registro ao vivo, Bessa dá voz e ritmo a poemas de autores clássicos como Alphonsus de Guimarães (Hão de Chorar por Ela os Cinamomos") e contemporâneos como Fabrício Carpinejar (Cartas de Amor) passando por Drummond, Leminski, Bukowski, Alice Ruiz e outros nomes das letras. Reynaldo Bessa tem parcerias com grandes nomes da Música Popular Brasileira. Entre elas, a música "Por Amor", dele e Zé Rodrix, foi gravada pelo grupo IRA! no acústico MTV do grupo. Em 2008 viajou em tournée pela Europa onde tocou em diversos países, como: Portugal, Itália, França, Alemanha, Suíça, Inglaterra, Holanda. Este ano tocou em Cochabamba e Sucre, na Bolívia.Bessa Já tocou ao lado de Chico César, Zeca Baleiro, Lenine, entre outros. Participou de diversos festivais de música pelo Brasil onde foi premiado diversas vezes. Atualmente o artista está em estúdio gravando seu sexto trabalho.
Ana Cadengue
Jornalista - Editora do Jornal
O Mossoroense
------------------------------------------------------------------------------------------
Reynaldo Bessa concorreu com os maiores da nossa poesia até chegar ao Prêmio Jabuti, e saiu na frente... melhor não citar nomes. É fácil entender a razão (justa) do reconhecimento: um texto emocionante, aparentemente despretensioso, mas pungente, numa autobiografia reinventada, entre surreal e cruelmente realista. Linguagem contemporânea, sem rebuscamentos retóricos, sem apelar para os coloquialismos banais e os barroquismos excessivos de outros autores que locupletam blogues e revistas literárias. Barulho é o que não falta na obra do jovem potiguar. Se não bastassem os versos criativos e definitivos, é compositor e exibe uma voz emocionante, com aqueles desdobramentos sonoros que apenas os nordestinos trazem em sua musicalidade.”
Antonio Miranda
Poeta, escritor, dramaturgo e escultor
Membro da Academia de Letras do Distrito Federal
Diretor da Biblioteca Nacional de Brasilia
------------------------------------------------------------------------------------------
Reynaldo Bessa, além de ser compositor, cantor e músico, tendo uma carreira consolidada na música popular brasileira, principalmente na música independente, com seu primeiro livro de poesia “Outros Barulhos”, revela o poeta que se “escondia” nas letras de suas canções.
No livro, poemas de vivências, de acontecimentos, de visões passadas e futuras, de encontros e desencontros, de despedidas e fusões, de vida e morte, de cotidiano, metrópoles e interioridades, surpresas e achados físicos e metafísicos, enfim...”Outros Barulhos” revela o poeta que Reynaldo Bessa sempre foi.
Madan
Compositor - São Paulo - SP
|